Eu queria muito poder acreditar que o destino não existe. O problema é só chegar numa fase da vida que as coisas só fazem sentido se você encaixar uma fase na outra. Que ver um show do Gram num dia que marca muito o fim de uma fase pra início de outra. Perceber que foi tudo tão cronometrado. As músicas que antes faziam chorar, hoje já não fazem sentido algum e a única coisa que resta é fazer uma análise crítica e notar que as rimas nem são tão boas assim. Ou então, ouvir certas verdades num restaurante e protagonizar cena de novela, chorando em cima do prato e secando lágrima com guardanapo. E é tudo tão verdade que você fica achando que a presença dessas pessoas dizendo essas coisas só pode ser obra do destino. Perceber que rancor é uma coisa pequena e que gasta um tempo absurdo da vida. Por último, chegar em casa ouvindo Cardigans e ver que as coisas estão só começando.

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